A política penetrou até no samba

O grande

Agora o clima político no Brasil deixa muito a desejar. Isso é sentido em todos os níveis sociais, mesmo na esfera da arte, da dança, as diferenças políticas penetraram. Um evento indicativo aconteceu com a participação de representantes do movimento radical de direita de Bolsonaro. Curiosamente, isso aconteceu em um clube que sempre foi considerado um símbolo de resistência para os cidadãos negros.

No Renascença Clube, o público descontraiu com danças e canções. Algum tempo depois, começaram os gritos de palavras de ordem, chamadas para expulsar Bolsonaro da liderança do país. Não é a primeira vez que a torcida começa a despejar sua raiva e indignação com os rumos políticos do atual governo. Tudo isso aconteceu com os estudos musicais de um dos melhores grupos de sambistas do Brasil.

Recorde-se que este não é o primeiro protesto expresso no Renascença Clube. Desde sua fundação em 1951, tornou-se imediatamente um lugar simbólico para a população negra do país expressar sua oposição à opressão. O evento acabou sendo tão grande e fez muito barulho. Tudo isso se refletiu no semanário Renascença Samba do Trabalhador, que qualificou essa ação de hooliganismo flagrante. Basicamente, o jornal cobriu o estilo antigovernamental do evento passado.

No entanto, esse protesto teve consequências muito mais abrangentes, revelando uma cisão no mundo do samba. A direção do clube reagiu de forma bastante inesperada e provocativa às travessuras dos visitantes. Já na manhã seguinte ao feriado, a diretoria do clube divulgou seu posicionamento. O presidente da entidade disse à imprensa que o clube não aprova nenhum movimento reacionário e provocativo relacionado à política. O chefe referiu-se ao estatuto da empresa.

Para sambistas e frequentadores de clubes, essa afirmação acabou sendo um verdadeiro choque. Muitos pensaram que desta forma a direção do clube foi pressionada por forças políticas que impedem o público de expressar sua opinião que critica o atual governo. Um dos membros da organização observou em suas redes sociais que a ausência de um protesto contra o mal equivale à sua aceitação. As citações de Martin Luther King demonstram claramente a atitude dos cidadãos para com seu presidente e o curso que tomou.

Não é de estranhar, porque o clube sempre foi um reduto de resistência. Bolsonaro mostra abertamente hostilidade aos povos indígenas do país, cultura e amizade com a população afro-brasileira. Dada a história de 70 anos de resistência do clube, o anúncio da direção foi visto como uma traição.

Um dos 9 integrantes do Samba do Trabalhador observou que o clube, criado para apoiar a resistência, ficou do lado do opressor. Tal posição não faz sentido, porque exclui completamente a continuação da amizade e dos relacionamentos que se formaram ao longo de décadas de fé. Os músicos responderam à administração descrevendo-se como entusiastas imparáveis ​​da liberdade de expressão.

Os integrantes do clube compartilham da mesma posição e enfatizam que o samba não existe sem política, se você olhar para a sua história. Foi originalmente criado e promovido como uma forma de luta contra a opressão. O início do século XX no mundo do samba brasileiro é um período de profunda politização dessa dança, que sempre foi em forma de protesto. A dança era uma forma de autoexpressão dos cidadãos negros tradicionalmente oprimidos por aqui.

A direção do clube reagiu a uma onda de indignação dos sócios. A primeira declaração foi removida, após a qual uma segunda ligeiramente suavizada apareceu. Adotou uma postura neutra. O clube foi designado como território neutro e a administração se isentou de qualquer responsabilidade por ações políticas que concordem com os visitantes. Sobre a primeira declaração, Alves disse que a divulgou sob coação quando membros conservadores fizeram acusações de cumplicidade em ataques contra Bolsonaro.

Alves observou que não pode apoiar inequivocamente Bolsonaro ou Luiz Inácio Lulu da Silva, que provavelmente vencerão as próximas eleições. O clube ainda está aberto a todos, independentemente de opiniões políticas. Além disso, o capítulo ainda se opõe à censura e restrições à auto-expressão de opiniões. Se a população quer ridicularizar Bolsonaro, isso é direito democrático do povo!

No entanto, essas declarações não ajudaram a conter a multidão, que lotou o pátio da organização 4 dias após os eventos descritos. Este foi mais um passo em aberto, um discurso contra o atual governo. Havia representantes de todos os movimentos de direita que só podem ser encontrados. As pessoas estavam vestidas com trajes tradicionais, bem como com as roupas dos representantes dos movimentos oprimidos e de oposição. Todos gritavam sobre a necessidade de voltar a 2002, quando o Brasil realizou historicamente suas primeiras eleições abertas. Lembre-se que então Lula estava no “leme” e camisetas com seus retratos estavam na maioria dos manifestantes.

O evento assumiu um caráter igualmente duro, após declarações de que Bolsonaro precisava ser afastado. Ele é considerado o mais ardente destruidor dos valores culturais e dos alicerces da população negra do país. Também expressou o grande dano que a política do atual governo infligiu ao país como representante da comunidade mundial.

Quando começou a celebração ativa e o canto do nome de Lula, os apoiadores do atual governo entraram no evento. No entanto, seus gritos foram abafados pela multidão de adversários. Foram cantadas canções que são consideradas hinos da época da ditadura. Essa é uma música que carrega fé e energia, aconteça o que acontecer, um novo dia virá amanhã e ninguém poderá cancelá-lo!

São sucessos de meio século atrás, mas ainda são relevantes. Antes dos hinos da libertação, eles continuam a receber aplausos de pessoas que só querem ser livres. Segundo os participantes, as tentativas de pressionar e suprimir a liberdade de expressão são um sinal claro de que Bolsonaro será derrubado do trono em breve!

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